Você não está sozinha · Violência contra a mulher: disque 180
Recomeço

Como sair de um relacionamento abusivo com segurança

Sair é um processo, não um único momento. Com planejamento e uma rede de apoio, dá para atravessar esse caminho com mais segurança.

Por Equipe Grupo ELALeitura de 3 minutosAtualizado em 28/10/2026

Por que é tão difícil sair

Medo, dependência financeira, filhos, vergonha, esperança de que ele mude e o próprio ciclo da violência prendem muitas mulheres. Isso não é fraqueza. É o resultado de um controle construído aos poucos.

Saber disso é importante porque o momento da separação costuma ser de maior risco. Por isso, planejar é proteger a sua vida.

Monte um plano de segurança

  1. Escolha um lugar seguroA casa de alguém de confiança, um familiar ou um abrigo da rede de proteção.
  2. Combine um sinalUma palavra ou emoji que, enviado a alguém próximo, significa "chame ajuda".
  3. Separe uma bolsaDeixe-a com alguém de confiança ou num lugar fácil de pegar.
  4. Guarde dinheiroMesmo que pouco, aos poucos, onde ele não tenha acesso.
  5. Saiba os números190, 180 e o contato de alguém de confiança, de cabeça ou anotados em papel.
  6. Pense nos filhosExplique o plano de forma simples e ensine-os a pedir ajuda.

O que levar

  • Documentos seus e dos filhos: RG, CPF, certidões, cartão do SUS, carteira de vacinação e carteira de trabalho
  • Cartões de banco, algum dinheiro e comprovantes de renda
  • Remédios e receitas
  • Celular e carregador
  • Provas da violência: prints, fotos, laudos e boletins de ocorrência
  • Uma cópia da medida protetiva, se você tiver

Proteja seu celular e suas contas

  • Troque as senhas do celular, do e-mail, das redes sociais e do banco.
  • Desative o compartilhamento de localização em aplicativos e no Google ou na conta Apple.
  • Verifique se há aplicativos desconhecidos instalados, que podem ser de espionagem.
  • Saia de sessões abertas em outros aparelhos, como WhatsApp Web e redes sociais.
  • Use uma aba anônima para pesquisar sobre ajuda e apague o histórico.
Se você está em perigo agora

Procure um lugar seguro e ligue. As ligações são gratuitas e funcionam 24 horas.

190Polícia Militar

180Central da Mulher

188CVV, apoio emocional

Onde buscar apoio

Você não precisa fazer isso sozinha. Existe uma rede pública de proteção:

  • Central de Atendimento à Mulher (180): orienta e indica os serviços da sua cidade.
  • Delegacia da Mulher, Defensoria Pública e Ministério Público: para registrar ocorrência e pedir medida protetiva.
  • Centros de Referência de Atendimento à Mulher e Casa da Mulher Brasileira: atendimento psicológico, social e jurídico, onde houver.
  • CRAS e CREAS: assistência social, benefícios e encaminhamentos.
  • Casas-abrigo: acolhimento sigiloso para mulheres em risco de morte, com acesso pela rede de atendimento.

A Lei Maria da Penha também garante, por exemplo, prioridade para transferir a matrícula dos filhos para uma escola perto da nova casa e a manutenção do vínculo de emprego por até seis meses quando você precisar se afastar do trabalho.

Depois de sair

Os primeiros meses costumam ser os mais difíceis. É comum sentir saudade, culpa ou vontade de voltar, principalmente se ele prometer mudar. Mantenha a rede de apoio por perto, siga com o acompanhamento psicológico e, se possível, trabalhe a sua independência financeira. A mentoria de carreira do ELA pode ajudar nessa etapa.

Grupo ELA

Você não precisa passar por isso sozinha

No ELA você encontra roda de conversa, terapia on-line, orientação jurídica e mentoria de carreira.

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Dúvidas frequentes

Posso sair de casa com os filhos?

Em situação de violência, proteger você e as crianças vem primeiro. Procure a Defensoria Pública ou a orientação jurídica para regularizar a guarda e a pensão o quanto antes.

Se eu sair de casa, perco meus direitos sobre a casa?

Não. Sair por causa de violência não faz você perder direitos sobre bens ou sobre a moradia. A medida protetiva pode, inclusive, determinar que ele saia e você volte.

Conteúdo elaborado pela equipe do Grupo ELA com base na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e no Código Penal. Ele é informativo e não substitui orientação jurídica ou psicológica individual.

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