Por que é tão difícil sair
Medo, dependência financeira, filhos, vergonha, esperança de que ele mude e o próprio ciclo da violência prendem muitas mulheres. Isso não é fraqueza. É o resultado de um controle construído aos poucos.
Saber disso é importante porque o momento da separação costuma ser de maior risco. Por isso, planejar é proteger a sua vida.
Monte um plano de segurança
- Escolha um lugar seguroA casa de alguém de confiança, um familiar ou um abrigo da rede de proteção.
- Combine um sinalUma palavra ou emoji que, enviado a alguém próximo, significa "chame ajuda".
- Separe uma bolsaDeixe-a com alguém de confiança ou num lugar fácil de pegar.
- Guarde dinheiroMesmo que pouco, aos poucos, onde ele não tenha acesso.
- Saiba os números190, 180 e o contato de alguém de confiança, de cabeça ou anotados em papel.
- Pense nos filhosExplique o plano de forma simples e ensine-os a pedir ajuda.
O que levar
- Documentos seus e dos filhos: RG, CPF, certidões, cartão do SUS, carteira de vacinação e carteira de trabalho
- Cartões de banco, algum dinheiro e comprovantes de renda
- Remédios e receitas
- Celular e carregador
- Provas da violência: prints, fotos, laudos e boletins de ocorrência
- Uma cópia da medida protetiva, se você tiver
Proteja seu celular e suas contas
- Troque as senhas do celular, do e-mail, das redes sociais e do banco.
- Desative o compartilhamento de localização em aplicativos e no Google ou na conta Apple.
- Verifique se há aplicativos desconhecidos instalados, que podem ser de espionagem.
- Saia de sessões abertas em outros aparelhos, como WhatsApp Web e redes sociais.
- Use uma aba anônima para pesquisar sobre ajuda e apague o histórico.
Procure um lugar seguro e ligue. As ligações são gratuitas e funcionam 24 horas.
190Polícia Militar
180Central da Mulher
188CVV, apoio emocional
Onde buscar apoio
Você não precisa fazer isso sozinha. Existe uma rede pública de proteção:
- Central de Atendimento à Mulher (180): orienta e indica os serviços da sua cidade.
- Delegacia da Mulher, Defensoria Pública e Ministério Público: para registrar ocorrência e pedir medida protetiva.
- Centros de Referência de Atendimento à Mulher e Casa da Mulher Brasileira: atendimento psicológico, social e jurídico, onde houver.
- CRAS e CREAS: assistência social, benefícios e encaminhamentos.
- Casas-abrigo: acolhimento sigiloso para mulheres em risco de morte, com acesso pela rede de atendimento.
A Lei Maria da Penha também garante, por exemplo, prioridade para transferir a matrícula dos filhos para uma escola perto da nova casa e a manutenção do vínculo de emprego por até seis meses quando você precisar se afastar do trabalho.
Depois de sair
Os primeiros meses costumam ser os mais difíceis. É comum sentir saudade, culpa ou vontade de voltar, principalmente se ele prometer mudar. Mantenha a rede de apoio por perto, siga com o acompanhamento psicológico e, se possível, trabalhe a sua independência financeira. A mentoria de carreira do ELA pode ajudar nessa etapa.
Você não precisa passar por isso sozinha
No ELA você encontra roda de conversa, terapia on-line, orientação jurídica e mentoria de carreira.
Conversar pelo WhatsAppDúvidas frequentes
Posso sair de casa com os filhos?
Em situação de violência, proteger você e as crianças vem primeiro. Procure a Defensoria Pública ou a orientação jurídica para regularizar a guarda e a pensão o quanto antes.
Se eu sair de casa, perco meus direitos sobre a casa?
Não. Sair por causa de violência não faz você perder direitos sobre bens ou sobre a moradia. A medida protetiva pode, inclusive, determinar que ele saia e você volte.
Conteúdo elaborado pela equipe do Grupo ELA com base na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e no Código Penal. Ele é informativo e não substitui orientação jurídica ou psicológica individual.