Você não está sozinha · Violência contra a mulher: disque 180
Violência psicológica

Violência psicológica: o que é e como provar

Ela não deixa hematomas, mas machuca, controla e adoece. A violência psicológica é a forma mais comum de abuso e, desde 2021, é crime no Brasil.

Por Equipe Grupo ELALeitura de 3 minutosAtualizado em 28/10/2026

O que é violência psicológica

A Lei Maria da Penha define violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional, diminua a autoestima ou tente controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Isso pode acontecer por meio de ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insultos, chantagem ou ridicularização.

Ela costuma vir antes das outras formas de violência e deixa marcas profundas: ansiedade, medo, insônia, sensação de que você "não é capaz" ou "está ficando louca".

Exemplos do dia a dia

  1. HumilharChamar você de burra, feia, inútil, em casa ou na frente dos outros.
  2. Ameaçar"Se você me deixar, você nunca mais vê seus filhos."
  3. VigiarExigir localização em tempo real, checar o celular, perguntar cada passo.
  4. IsolarProibir ou dificultar encontros com família e amigas.
  5. Distorcer a realidadeNegar o que disse ou fez e fazer você duvidar da própria memória.
  6. ChantagearUsar segredos, fotos íntimas ou ameaças de suicídio para manter o controle.

Violência psicológica é crime?

Sim. Desde 2021, o Código Penal tem o crime de violência psicológica contra a mulher (artigo 147-B), com pena de reclusão de 6 meses a 2 anos e multa, se a conduta não for um crime mais grave. A perseguição, conhecida como stalking, também é crime desde 2021 (artigo 147-A).

Além disso, a violência psicológica dá direito a pedir medida protetiva, mesmo sem nenhuma agressão física.

Como reunir provas

Muitas mulheres acham que "é a palavra dela contra a dele". Na prática, vários registros ajudam a mostrar o que acontece:

  • Mensagens e e-mails: faça prints mostrando o nome ou número de quem enviou, a data e o horário.
  • Áudios e vídeos: guarde os que ele mandou. A gravação de uma conversa da qual você mesma participa costuma ser aceita como prova, mas confirme com a orientação jurídica no seu caso.
  • Diário: anote o que aconteceu, com data, hora e local. Registros feitos na época têm valor.
  • Testemunhas: vizinhos, familiares ou colegas que presenciaram ou ouviram algo.
  • Relatórios de saúde: atendimentos médicos, psicológicos ou do CRAS/CREAS que mostrem o impacto na sua saúde.

Guarde as provas onde ele não tenha acesso: um e-mail novo, a nuvem com outra senha ou o celular de alguém de confiança.

Se você está em perigo agora

Procure um lugar seguro e ligue. As ligações são gratuitas e funcionam 24 horas.

190Polícia Militar

180Central da Mulher

188CVV, apoio emocional

Cuidando de você

Quem vive violência psicológica muitas vezes passa a se culpar e a desconfiar de si mesma. Apoio psicológico ajuda a reconhecer o que aconteceu e a reconstruir a confiança. Você não precisa esperar "ficar pior" para buscar ajuda.

Grupo ELA

Você não precisa passar por isso sozinha

No ELA você encontra roda de conversa, terapia on-line, orientação jurídica e mentoria de carreira.

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Dúvidas frequentes

Ele nunca me bateu. Mesmo assim é violência?

Sim. A Lei Maria da Penha reconhece a violência psicológica como uma forma de violência doméstica, e ela também é crime no Código Penal.

Posso denunciar só com prints?

Pode. Prints, áudios e seu relato já ajudam. Quanto mais registros você tiver, mais forte fica o caso, mas a falta de provas não impede o pedido de medida protetiva.

Onde denuncio?

Na delegacia (de preferência a Delegacia da Mulher), pelo 180 ou na Defensoria Pública. Em emergência, ligue 190.

Conteúdo elaborado pela equipe do Grupo ELA com base na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e no Código Penal. Ele é informativo e não substitui orientação jurídica ou psicológica individual.

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